O intercâmbio Brasil-Portugal na moda vai além da homenagem à cantora Carmen Miranda nesta edição de São Paulo Fashion Week ou da presença de estilistas lusitanos como Anabela Baldaque e Miguel Vieira em temporadas anteriores do evento.
Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Osklen e Reinaldo Lourenço são nomes conhecidos entre os consumidores de moda na ex-metrópole. "A moda brasileira é internacional e muito boa. Em Portugal, sabem quem é Herchcovitch, assim como sabem quem é Viktor & Rolf", comentou o editor da "Vogue Portugal", Paulo Macedo, que há anos acompanha o calendário paulistano.
Fernanda Schimidt/UOL

Segundo Macedo, desde que saiu de um regime ditatorial, Portugal tenta tirar o atraso em relação à informação fashion. "Só uma classe muito alta consumia moda. Ainda estamos na pré-adolescência em relação a isso", disse. A moda no país, de acordo com o editor, ainda se restringe ao público mais informado. "São pessoas que vestem roupas pelo prazer de consumir moda, por admiração ao trabalho do autor, para se sentir bem e não para serem vistas", afirmou. Aos poucos, este grupo mais elitizado culturalmente passa a ocupar o espaço daqueles que compravam grifes por seus logos, como ícones de status para exibição.
"A qualidade das roupas produzidas aqui é extraordinária, com confecção de alto nível. A moda brasileira dará um grande salto quando os criadores assumirem a sua brasilidade, não como clichê, mas como algo moderno. Algo que Oskar [Metsavaht, da Osklen] faz muito bem", apontou Macedo.
Na opinião dele, o maior fluxo de estilistas brasileiros em Portugal, em comparação ao de portugueses por aqui, passa especialmente pela questão econômica. "No Brasil, a moda é uma indústria de milhões, autossuficiente, que vende para um mercado de 180 milhões de pessoas. Lá, são apenas 10 milhões, sem exportação", completou.